Uma atração vencedora

Uma jovem de Salvador, após um período de resistência com o encontro que fez, relata: "Encontrei um lugar que me atraiu sem descartar nada de mim"

Quatro anos atrás eu fazia parte da igreja evangélica (protestante), e conheci o Movimento através de Milena, por meio de um curso que fiz. Frequentava as coisas, mas no início era tudo muito estranho, pois acreditava que os católicos iriam direto para o inferno pelas práticas que fazem. Mas, quando fui às primeiras Férias de Carnaval percebi o quanto as pessoas eram diferentes, a missa era diferente, havia algo diferente, daí comecei a pensar: “Não é possível que esse povo vá para o inferno”. Mesmo cheia de bloqueios continuei caminhando com essa turminha. Comecei a fazer caritativa, Escola de Comunidade, participar das convivências, e quando me dei conta estava em tudo. Com o tempo comecei a estar mais inteira nas propostas, pois tudo que vivenciava me preenchia, fazia sentido, começava a abrir minha mente, até que cheguei ao ponto de deixar de frequentar a outra igreja e passei a ir mais ao Movimento. Porém, não era simples dizer para as pessoas que eu fazia parte de uma comunidade católica. Sempre foi difícil. Uma das coisas que me chamou atenção no CL foi a abertura das pessoas para recepcionar as outras, e depois a forma como faziam a caritativa. Na outra igreja esse gesto era chamado de evangelismo, que é falar de Jesus para as pessoas necessitadas e por um discurso fazê-las aceitarem Jesus. Mas perceber algo diferente nas pessoas ao irem visitar os pacientes do Hospital Irmã Dulce, para mim era surreal. Era bonito de ver. E hoje eu sou apaixonada pelo lugar no qual fazemos caritativa. Encontrar com os pacientes uma vez ao mês é como encontrar os meus pais, que moram em outra cidade, fico feliz e ansiosa. Um dia fui conhecer Dom Guido, Bispo de Paulo Afonso, pois é um padre muito familiar por aqui, e estando numa roda de diálogo com ele e mais três pessoas eu senti algo diferente. Parecia que era outra dimensão. Havia uma Presença ali. Era bonito e saí de lá pensando “eu quero isso para mim”. E foi exatamente nesse dia que voltei para casa certa de que eu queria esse caminho. E me perguntava: “se esse lugar faz vibrar meu coração e eu tenho certeza disso, por que não devo estar 100% nele? Por que não me aprofundar sem medos? Por que não dizer sim a esse caminho?”. E assim decidi continuar caminhando. Depois desse dia as coisas mudaram. Tudo era diferente. Eu havia decidido estar nesse lugar com todo meu Eu. E hoje eu tenho a certeza de que fiz a melhor escolha. Outra coisa bonita que me aconteceu, ao ler o texto da Escola de Comunidade, foi sentir uma vontade enorme de me confessar (nunca acreditei nesse ato, pois na minha vivência de fé pedíamos perdão a Deus e pronto). Então, dentro desse novo desejo, aproveitei a presença do nosso amigo Pe. Inácio e confessei. Era me desarmar diante da Presença. E assim me senti livre, me senti convertida. Emocionava-me muito pensar que encontrei um lugar que me atraiu sem descartar nada de mim. E mesmo depois de tantos bloqueios, me perceber aberta a esse caminho é fascinante.

Andreia, Salvador (BA)