Happening. Além das Colunas de Hércules

Uma tarde com diversos encontros culturais buscando despertar nos jovens o desejo de ir "além das colunas de Hércules", almejando algo a mais para a própria vida. Uma busca pela Beleza, como aprendido com Dom Giussani
Silvana Costa

Faz dois anos que desejávamos organizar um happening para os alunos de nosso curso preparatório ao vestibulinho do ETEC, convidando os pais, professores, ex-alunos, benfeitores e colaboradores. Um dia especial, que fosse reflexo de Beleza e fascínio, da forma como aprendemos com Dom Giussani, que dizia: “Na minha casa poderia faltar a comida, mas não a Beleza”.

Tudo começou com a escolha do tema. A ideia era escolher algo que provocasse a curiosidade e o desejo dos jovens. Lembramo-nos do capítulo de O senso religioso em que Giussani mencionava as Colunas de Hércules. As Colunas de Hércules correspondem aos promontórios do Estreito de Gibraltar, a passagem do Mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico. Para o mundo antigo, elas eram um limite insuperável e intransponível: não havia meios adequados para enfrentar com segurança a força e o tamanho do oceano. Simbolicamente, elas indicam o limite que existe em qualquer atividade e desenvolvimento humano: no conhecimento, na ciência, na tecnologia, no trabalho, no esporte, na convivência social, na realização pessoal. Se, por um lado, as Colunas de Hércules são um limite, por outro lado têm um atrativo irresistível, o atrativo do desconhecido, um chamado infinito. Cabe a cada um de nós decidir acompanhar esse chamado ou ignorá-lo, contentando-nos com algo já conhecido e confortável: é a vida como aventura ou a vida como rotina. Estava escolhido o tema do happening: “Além das Colunas de Hercules”. Todas as palestras e atividades do encontro remeteriam a esse ultrapassar das barreiras, seria um convite para os alunos refletirem sobre como gostariam de conduzir as suas vidas.

Assim, no sábado 10 de agosto realizamos nosso evento na Associação Estudo e Trabalho. Iniciamos o Happening explicando o que significavam as Colunas de Hércules. Em seguida, nossa amiga Regina, professora de língua inglesa, passou um trecho do filme Hobbit, baseado no livro de J.R.R. Tolkien, que mostrava o personagem Bilbo Bolseiro recebendo a visita do mago Gandalf e dos anões. Nessa cena, os visitantes interrompem a vida pacata de Bilbo e o convidam a participar de uma grande aventura. Bilbo, como nós, não queria sair da sua vida cômoda e, a princípio, recusa o convite. Mas algo havia acontecido: ele havia se deixado fascinar pela alegria e vivacidade daqueles novos amigos e resolve aderir àquela aventura pela Terra Média. Os alunos comentaram sobre a decisão de Bilbo de sair de sua rotina e abrir-se ao desconhecido.



Após o filme, chegara a hora da nossa conversa com o Ney Vasconcelos, músico da OSESP. Ney relatou toda a sua descoberta de interesse pela música, desde o encanto de ouvir os Beatles pela primeira vez, até as muitas horas de estudos de contrabaixo no conservatório, mostrando que, além da paixão, é preciso ter muita dedicação. Nesse momento, a nossa aluna Melissa comentou que ela não sabia como retomar a sua paixão pelo violino e perguntou o que deveria fazer, pois ela gostaria de começar tudo do zero. Ney explica que o que pode ajudá-la é ter um lugar e uma companhia que viva a vida com paixão, que tenha gosto pelas coisas, que não seja indiferente. Companhias assim, ainda que com interesses diversos dos nossos, ajudam-nos a manter acesas as nossas paixões.

Em seguida, após uma breve pausa para o lanche, nosso ex-aluno Leonardo Barbosa, atual professor de Física, começa a sua palestra sobre o infinitamente pequeno, o núcleo do átomo, e o infinitamente grande, o universo: ambos oceanos que nossa sede de conhecimento desbrava utilizando o método científico. E, por fim, encerramos com a entrada da bateria da Escola Politécnica da USP, que realizou um workshop, explicando os instrumentos que compõem uma bateria e colocando todos para tocarem juntos. Foi muito interessante para os alunos ver como os instrumentos ganham força e sentido quando tocados de forma harmônica e em conjunto.



Contagiados pela alegria da bateria da Poli, os alunos falavam de como o dia havia sido legal e interessante; para uma voluntária, que nos ajudou desde cedo a preparar o local, fora “um dia incrível, um verdadeiro reacontecimento”; um dos colaboradores comentou que iria ler o livro de Tolkien.