Uma porta para o infinito

Notas da Assembleia das comunidades de Minas Gerais e Brasília com Marco Montrasi, responsável nacional de CL. O encontro foi realizado no dia 4 de julho, introduzido por Marco Matos, responsável da comunidade de Belo Horizonte

Marquinho: A gente teve essa feliz ideia de fazer juntos a Assembleia, todas as comunidades de Minas junto com Brasília, matando saudade das férias de final de ano. Que a gente tenha uma amizade entre a gente, que a gente faça um caminho juntos, isso não é óbvio. (...). Começamos com os dois cantos e uma poesia: O silêncio das estrelas (Lenine), A cura (Lulu Santos) e Antes da viagem (E. Montale).
Começar a Assembleia cantando, ou recitando um poema, não é para enfeitar a Assembleia, é para ajudar a nos introduzir no diálogo sobre a experiência da gente. E eu lendo essas letras aqui, é muito bonito pensar como o Lenine começa dizendo que a gente se encontra muitas vezes nessa situação como uma ilusão. A ilusão de pensar que eu tinha o mundo em minhas mãos, como um deus. Parece que está tudo sob controle. Ou como Montale falava na poesia: vou fazer a viagem e me organizo todo, está tudo sob controle, pensei em todos os detalhes. E aí a gente fica tranquilo. Mas acontecem as circunstâncias – como o Carrón está chamando tanto a atenção da gente – acontecem as circunstâncias que nos ajudam a amanhecer mortais, repetindo os mesmos erros. Num momento a gente tem tudo sob controle, estamos tranquilos por isso. E no instante seguinte, numa circunstância seguinte, a gente amanhece mortal. Somos mortais. Repetimos todo dia os mesmos erros. Parece que as coisas são inúteis, como Montale fala da viagem: a gente vai lá, faz a viagem e é inútil, porque eu perdi o controle das coisas. Mas aí é bonito, como Carrón está ensinando a gente, que essas circunstâncias se tornam uma oportunidade. Porque quando eu amanheço mortal e repito os mesmos erros, dói em mim. O doer em mim é uma oportunidade. Ver que toda essa procura não tem fim. O que eu procuro afinal, o que vai ser da minha viagem? A circunstância, de uma certa maneira, nos constrange a nos dar conta de que a gente é homem em busca de mais, de mais… De que essa procura não tem fim. Como Carrón coloca na Escola de Comunidade: o homem é um ser que faz perguntas sem fim. E aí se coloca essa questão que é bonita. Quando a gente vai até o fundo, a gente se dá conta dessa nossa procura sem fim, vem essa consciência: um imprevisto é a única esperança. Tudo aquilo que tenho sob controle, todo meu planejamento, não são capazes de responder às minhas perguntas, às minhas buscas. Só um imprevisto. E depois na terceira música que fala: esse imprevisto existirá. A bandeira da vida vai tremular em todo porto. Vai trazer uma luz que vai iluminar todo farol. Uma ponta de esperança. Virá quando a gente menos espera, de onde a gente menos imagina, porque as circunstâncias são assim. As circunstâncias que são difíceis, que são pesadas e, de repente, sem que a gente espere, sem que a gente imagine, vem. Vem e demole as nossas certezas vãs. O imprevisto é a única esperança, mas dizem que é tolice dizer. Uma certeza vã. Mas vem. Esse imprevisto vem e toda raça humana pode experimentar a cura, a resposta para suas perguntas...

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