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Do terço pelo amigo ao rosário pela paz mundial

Como um grupo de amigos, que se reúne pela internet todos os dias para rezar o terço, atendeu ao chamado do Papa Leão XIV para orar pela paz mundial (da Passos de nov-dez/2025)
Francisco Borba Ribeiro Neto

O que começou como uma corrente de orações pela recuperação de um amigo hospitalizado com covid-19 transformou-se em uma prática diária que hoje une pessoas de seis cidades brasileiras em torno do terço. O grupo é composto por 24 membros, dos quais 10 a 12 participam regularmente dos encontros diários às 21h30.

“Há três anos, temos o costume de rezar o terço, dando continuidade às preces pela recuperação de nosso amigo Kim, hospitalizado com covid-19. Persistimos nessa prática porque a oração nos ampara, fortalece nossos laços e nos traz conforto”, explica Eloiza Colombo, de Sorocaba, uma das integrantes do grupo. Para ela, “o terço é uma oração de profunda intimidade com Nossa Senhora. Como filhos, nos colocamos no colo de Nossa Mãe. Essa é uma concreta experiência.”

Para Ismael, outro membro do grupo, a prática do terço tem um significado profundo que transcende o simples ato de fazer pedidos. “Normalmente não fazemos um juízo sobre o que é rezar o terço, por que o rezamos. Para mim, é olhar para aquela que teve a coragem de dizer ‘sim’ a um chamado do Senhor, portanto cada mistério, além de fazer memória da história, me faz julgar como tenho vivido e me dar conta que não estou sozinho na aventura humana”, reflete. “Portanto, muito além de fazer pedidos, é uma ajuda ao sim de cada um de nós, para permanecermos no seguimento a Cristo.”

A decisão de estender as orações para a paz mundial veio em resposta ao estímulo do Movimento para atender ao pedido do Papa, para que os fiéis rezassem pela paz no mundo durante outubro, mês tradicionalmente dedicado ao Rosário. Ismael, conta que a proposta foi recebida com naturalidade, pois o contexto mundial sugere a urgência dessa oração. “As circunstâncias atuais são desafiadoras, com conflitos na Ucrânia, em Israel, na África e na América Latina, onde, mesmo sem guerras formais, enfrentamos desafios urbanos, como os que ocorrem no Rio de Janeiro”, enumera.

Além disso, a resposta ao pedido de Leão XIV para rezar pela paz no mundo ganhou, para o grupo, um sentido de pertencimento à Igreja universal. “A prece pela paz, em união com o Papa, nos instrui na vivência da catolicidade, na firme convicção da vitória de Cristo”, afirma Eloiza.

Ismael complementa esse sentido de comunhão eclesial: “A indicação do Papa de rezar o terço pela paz significou comunhão com a Igreja universal em voz uníssona: pedir ajuda para uma humanidade doente e perdida em relação ao sentido da vida. Tantas anomalias sociais e injustiças, que temos de pedir à Mãe que apele por nós pela restauração do bom senso entre os homens”.

O grupo demonstra que a persistência na oração pode criar laços duradouros e manter viva a esperança mesmo diante dos desafios contemporâneos. Das noites de angústia pela saúde de um amigo durante a pandemia, nasceu uma experiência de comunidade que hoje ergue sua voz, junto com o Papa e a Igreja universal, pela paz em um mundo marcado por conflitos e divisões.