Grava-se (e ouve-se) o que se admira

O aprofundamento na Escola de Comunidade e a gravação de trechos para ajudar os amigos mostraram a Aline «uma forma pela qual o Senhor me faz povo». E a companhia que inclui o marido e os amigos que a sustentam. Leia a carta da Passos de dezembro

Nos últimos anos, tenho vivido na Escola de Comunidade (EdC) um espaço em que me experimento inteira e livre, diferente de muitas esferas na vida, em que fico tentando cumprir o que se espera. No início deste ano, com todas as mudanças de rotina e atribuições por conta do isolamento, me vi desejosa em levar mais a sério o trabalho de EdC e passei a gravar semanalmente áudios com a leitura dos textos a serem trabalhados.

Soube de vários amigos para quem isso foi uma ajuda, porém chegar aos carros, casas e cozinhas deles com a minha voz gerou em mim um senso de pertencimento e companhia, uma forma criativa através da qual o Senhor me faz povo. No livro O brilho dos olhos, Carrón diz: «No âmbito da comunidade desabrocham e florescem os dons. No seio da comunidade aprendemos a reconhecê-los como sinal do amor de Deus por todos os seus filhos».

Em uma das semanas fiquei pensando em como gravar o diálogo entre Azurmendi e De Haro de forma a não ficar confuso e, um pouco descrente, propus a meu marido se toparia colaborar. Ele aceitou, com muita simplicidade. «Vê-se só o que se admira». Foi fundamental para mim a ocasião de admirar a abertura dele e isso me ajudou a ver, a enxergar dentro da minha família o Acontecimento – agora, contemporâneo, como há 2000 anos.

Recentemente me pediram para puxar a reunião de EdC. Num momento tão turbulento e confuso da minha vida, pareceu uma contradição. Mas tentei responder, agora eu, com simplicidade. Meu marido perguntou por que aceitei, e eu disse: «Porque Deus sabe mais do que eu». Receber as confirmações de presença ao longo do dia, o que antes era um celular “apitando à toa”, agora passou a ser uma alegria, passou a ser para mim. Somos um povo, e nas reuniões as amigas estão presentes, protagonistas, sustentando meu despreparo, imperfeições e limites. «A companhia não é uma ideia, um discurso, uma lógica, mas um fato, uma presença que implica uma relação em que lhe pertençamos».

Aline, São Bernardo do Campo (SP)

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