Dom Luigi Giussani (©Fraternità CL)

Giussani. Uma maturidade maior

A carta aos inscritos da Fraternidade no Advento de 1988: “Da escuta humilde e do seguimento fiel provém um caminho cristão mais verdadeiro”
Luigi Giussani

No dia 21 de novembro de 1988, Dom Giussani escreveu aos inscritos da Fraternidade uma carta de felicitações pelo início do Advento, recordando “a única razão” do nosso estar juntos. A carta foi publicada em L. Giussani, A obra do Movimento. A Fraternidade de Comunhão e Libertação, 2019, pp. 268-269 (disponível em PDF no site da Fraternidade). Propomos sua leitura a todos, nas vésperas do Advento, pois conserva intacta a sua atualidade


Milão, 21 de novembro de 1988

Caríssimos irmãos,

a aproximação do Advento repropõe a história do grande sacramento da sua encarnação: o Mistério “circunscreveu-se num rosto humano”. Aqui está todo o maravilhamento, a honra e a responsabilidade da nossa fé.

Nisto está a única razão da nossa fraternidade. De fato, cada um de nós poderia seguir o Senhor e sua Igreja como julgasse oportuno, apoiando-se como quisesse, escolhendo lugares conforme seu modo de sentir ou segundo suas opiniões. Mas nós nos unimos porque o Senhor nos fez entrever, através do seguimento obediente ao encontro que ocorreu entre nós, uma intensidade e alegria maiores em vê-Lo e em segui-Lo.

O Advento encontra-nos unidos pois estamos persuadidos de que da escuta humilde e do seguimento fiel provém um caminho cristão mais verdadeiro, segundo o exemplo do Verbo feito “obediente” – e segundo o exemplo das ordens religiosas na história da Igreja.

A nossa unidade, portanto, não impõe nenhuma obrigação, não é um dever: ela é simplesmente um método, para que a caridade de Cristo seja cada vez mais simples, segura, ardente, inteira e contínua.

Por quantas coisas o Movimento passou nestes últimos seis meses! E quantos fatos pessoais! E quantos pensamentos, opiniões, reações, ímpetos e incertezas podem ter nascido no nosso coração. Mas o que importa é retomar mais concreta e generosamente o seguimento humilde à unidade que nos guia, nos convida e nos decide. Esta unidade certamente pode errar:

por isso temos de rezar para que ela esteja cada vez mais centrada na invocação do Espírito e de Nossa Senhora e na atenção ao ensinamento e às diretrizes do Magistério;
por isso sempre temos de intervir positivamente, com paciência.

Mas justamente pelo que dissemos, jamais seria conveniente para nós a opção por nos separarmos a fim de afirmar em última instância a nossa posição pessoal ou de grupo: é num seguimento à companhia dada a nós pelo Senhor que está o método mais útil para aprender o Espírito e a obediência ao mistério da Igreja!

Retomemos, então, o caminho com uma maturidade maior, isto é, com maior consciência, humildade e amor fiel.

Nossa companhia nunca teve um florescimento tão impressionante de criações nas quais “a alegria do amor por Cristo se torna experimentável no amor pelos irmãos”: desde a generosidade da campanha do “tijolo” até as tentativas de criar grandes obras para doentes e idosos, passando pelas cooperativas para deficientes e para o sustento e a companhia dos necessitados; desde as “Famílias para a Acolhida” até a grande acolhida, como são todas as nossas missões, a pessoas do mundo todo, por amor ao Destino delas, Cristo.

Obrigado de coração, irmãos.

Perdoem-me por tudo aquilo em que não sei servir de exemplo para vocês, e serei eternamente grato pelo exemplo que vocês todos são para mim.

Faço votos de um feliz Natal a vocês, a suas famílias e a seus grupos.

Com enorme afeto,
Dom Luigi Giussani